O que foi o Sul-Americano Juvenil de Squash
03 fev 10
Foi um mega evento esportivo. Os jovens estão jogando uma barbaridade! Ver meninos e meninas dos 8 aos 18 anos disputando com raça, talento e amor à camisa foi um espetáculo além do squash.
Os resultados já são conhecidos, mas destaco as impressões de um observador neófito no squash:
- O Brasil saiu-se relativamente bem, embora como anfitrião, com possibilidade de montar uma delegação de até 80 atletas (inscrevemos apenas 30), esperava-se maior presença verde-amarela no pódium. Enfim, ficamos em segundo na classificação geral, evoluindo do terceiro lugar de 2009, e fomos os melhores no setor masculino. Mas ter apenas duas medalhas de ouro, uma no masculino e uma no feminino, deixa um gostinho meio amargo na boca. Parabéns a Kiki (SP) e Giulia Baldissera (SC) pelos títulos.
- A Colômbia confirmou o favoritismo e garantiu o título máximo. Foi o único país a pontuar em todas as categorias conquistando três medalhas de ouro, todas no feminino. As colombianas dominaram a cena.
- O Equador, menor país no campeonato, foi uma grata surpresa. Ficou em terceiro, empatado com a Argentina, mas considero um desempate justo o fato de ter levado duas meninas na categoria sub-11, campeã e vice naturalmente, mas infelizmente não pontuadas pelo fato de não ter adversárias (o mínimo seria quatro inscritas). Os equatorianos conquistaram duas medalhas de ouro, as duas no masculino.
- A Argentina foi recordista em medalhas de ouro, com quatro. Tinham as maiores estrelas do torneio, no topo da sub-19 masculina e feminina. Leandro Romiglio e Antonella Falcone levaram os títulos individuais o o de dupla mista, formando um par imbatível. E na sub-13 o garoto Juan Barreyro foi o campeão com brilho.
- O jogo de mais alto nível técnico foi a final de sub-19, com o esperado encontro entre Romiglio e Kiki. O argentino já é profissional, 18 anos, número 111 do ranking mundial e era o ouro mais indiscutível. Mas nosso maior astro, com apenas 15 anos, não ia deixar barato. E, efetivamente, superou-se, mostrando que salvo alguma aparição desconhecida até agora, vai dominar o juvenil sul-americano nos próximos anos. Com muita categoria e resolvendo partir para a bola winner sempre que dava (ou não), arrancou o terceiro game sob aplausos, com direito a fintas e jogadas de estilo. No final, o óbvio, deu Romiglio, esbanjando habilidade com a raquete e onipresença na quadra toda. 3 x 1.
- Nas categorias de base, tivemos dois duelos impressionantes dos mais jovens atletas. Nosso Pedro Gomes jogou duas finais, sub-11 e sub-13. O primeiro jogo chamado foi a categoria acima, sub-13. Um clássico Brasil x Argentina com os atletas se superando a cada lance, indo buscar bolas incríveis com um talento indiscutível. O Juan começou vencendo os dois primeiros games, mas Pedro foi buscar na raça e empatou. O quinto game podia ser de qualquer um. Prevaleceu o pequeno “hermano”, com classe e fair-play. Na final da sub-11, parece que Pedro sentiu o desgaste. Jogou muito, mas o pequeno equatoriano Alvaro Buenaño encantou a torcida com determinação, correndo para todos os cantos da quadra e um talento que sinaliza um futuro craque do squash. Os três jovens atletas nos fazem otimistas pelo futuro do squash. E, embora desolado, o mineiro Pedro Gomes merece os parabéns de toda torcida, pelas duas medalhas de prata, nada fáceis de conquistar.
- O melhor desempenho masculino do Brasil foi na sub-17 com Kiki campeão, Wagner “Juninho” (MG) em terceiro e Pedro Veiga (MG) em quinto. Em três disputas simultâneas, os brasileiros ganharam as três, numa meia hora especial no sábado de manhã.
- O melhor desempenho feminino do Brasil foi na sub-15 com uma final brasileira. Giulia e Renata Furletti (MG) se enfrentaram, com a vitória da catarinense, em jogo com a graciosidade das nossas meninas. E ainda tivemos o segundo lugar da mineira Giovanna Veiga na sub-13.
- O que faltou ao Brasil? Creio que sprit de corps. Vi as delegações estrangeiras mais unidas e focadas, com técnicos e torcida presentes a cada jogo. Os brasileiros em alguns momentos estavam sozinhos em quadra, fazendo o possível. Os grandes talentos individuais prevaleceram, mas como equipe faltou algo. Quem era o técnico da equipe brasileira? Não sei, vi alguns professores em alguns momentos apoiando seus pupilos, mas não tivemos uma coordenação técnica da equipe, nem dicas valiosas nos intervalos. O trabalho preparatório do time foi isolado, com iniciativas de grupos de afinidade, sem um programa coeso. Algo a refletir para as próximas competições.
- E fica uma sugestão final para a organização dos próximos eventos internacionais. Que houve com nosso uniforme ?! Cadê o nome do BRASIL? Todas as camisas estrangeiras estampavam o nome do país em destaque, nas cores oficiais da bandeira, algumas com o brasão da sua Confederação. Nós desfilamos com camisas comerciais, com discreta ligação às nossas cores. Tudo bem, agradeçamos à HI-TEC e a HEAD, mas ter seus nomes estampados no peito, como destaque único na frente da camisa é demais. Talvez sinal dos tempos, afinal agora nos estádios de futebol se torce pelos times da Batavo, Ale, Unimed, Banco X, em vez de Corinthians, Flamengo, Fluminense, Cruzeiro etc etc etc. Mas sou do tempo antigo. O nome do time deve vir em destaque absoluto, dá mais orgulho a quem a veste e a quem torce. Principalmente se é a seleção de um país. O patrocinador tenha sua logomarca na manga ou num cantinho atrás e tá de bom tamanho.
Concluindo, a semana esportiva coroou um trabalho abnegado de um pequeno grupo, Daniel Penna à frente, que sem apoio significativo ralou o ano inteiro em 6 (seis) etapas do Circuito Juvenil pelo Brasil afora. Atletas, pais, clubes, empresas e federações foram se agregando aos poucos e fizemos o primeiro Campeonato Sul-Americano Juvenil de Squash no país. Que venham os próximos e faremos ainda melhor!
Gilvandro Rodrigues

Caro Gilvandro, assino embaixo de suas impressões e acrescento que a grande maioria de nossos jovens atletas tiveram que jogar duas categorias como no caso do Pedro Gomes e do Kiki, enquanto seus adversários apenas uma.
Sei muito bem como foram as 2 ou 3 horas do Pedro entre uma final e outra, mas como não jogá-las se ainda não temos atletas em número e qualidade suficiente para tanto?
É importante observar que estes meninos e meninas estão pagando um preço para que o olhar de outros se volte para o squash.
Já sugeri ao Daniel em e-mail recente a criação de uma “seleção permanente” com datas e eventos para se apresentar. Fiz também outras tantas sugestões como a do técnico único, etc. É fundamental uma identidade coletiva.
A questão financeira também é fundamental, o patrocínio é essencial e não precisa ocupar o lugar da Pátria, ok; porém não dá para ficar contando só com a abnegação do Daniel, dos atletas e de suas famílias. Precisamos de recursos. O Circuito Juvenil é muito caro e além dele tem o brsileiro, os regiomais, o sul-americano…
As idéias tem que surgir para melhorarmos, portanto vamos debater e tentar implementar. Abraços, Ednei.