Jogos memoráveis no Feriadão
14 out 09
Em toda competição, independente do resultado e de serem ou não decisões, há jogos que ser tornam emblemáticos, inesquecíveis. O conjunto da qualidade técnica, emoção, superação de limites, equilíbrio, postura dos atletas e o timing conferem à partida o status de memorável.
No Top Class e Circuito Juvenil de João Pessoa foram 113 jogos em três dias, o que torna difícil a tarefa de escolher uma como a mais memorável. Mas selecionamos cinco dessas partidas, que colocamos em julgamento e listamos em ordem cronológica:
- Kiki 3×0 Serginho – Final sub-19
O jogo reuniu os juvenis de mais alto desempenho da etapa do Circuito, Josemar “Kiki” (SP) e Sérgio Barcelos (MG). Jogo forte e rápido com os dois atletas esbanjando técnica de 1a. classe, vencido pelo paulista em três games (11/5, 11/7, 11/9). Arbitragem do jovem Pedro Veiga (MG), com muita segurança, controlando bem os ânimos juvenis.
- Erick 3×2 Pedrinho – Grupos 1a. classe
Um confronto de gerações, com estilos muito parecidos. Ambos clássicos, sem bolas matadoras, sem pancadaria, muita capacidade de defesa. Erick (PB) abriu 2 x 0, mas Pedrinho (MG) com categoria foi buscar o jogo, embora desgastando-se muito. Após o 2×2 Erick voltou a dominar, fechando a partida num game final rápido, já com Pedrinho exausto (11/8, 11/6, 4/11, 8/11, 11/3). Arbitragem de César (RN).
- Eduardo 3×2 Serginho – Grupos 1a. classe
Um jogo de grande equilíbrio, técnica apurada, lances espetaculares. De um lado, o mais pontuado 1a. classe na competição, o gaúcho Eduardo “Feather”. Do outro, o mineiro Serginho, juvenil sub-17, com a bola mais “pauleira” vista por esses dias. O jogo pendia para um lado e para o outro, alternando games e naturalmente a partida só foi resolvida no quinto, com os jogadores e o público exaustos (11/6, 9/11, 11/6, 7/11, 11/8). Após o match ball, a torcida não se conteve e aplaudiu os dois atletas de pé durante vários minutos, em reverência e agradecimento pelo espetáculo. A arbitragem foi de Stanley Marx (PB).
- Erick 3×0 Eduardo – Semifinal 1a. classe
Eduardo “Feather” era o favorito e cabeça de chave. Erick vinha como azarão, mas com boa bagagem pelos últimos títulos no Nordeste. O jogo foi um épico. O gaucho, vindo de 15 graus no RS, sentiu o sol do verão paraibano com força e já no primeiro game demonstrava a exaustão. Mas superou-se e continuou com um jogo muito equilibrado, de lances inacreditáveis. O estilo Erick de controle, defesas conscientes, lobs precisos e curtas só no momento certo, foi prevalecendo. Eduardo demonstrava agilidade e recursos impressionantes. Cada game do jogo equivalia a três nas outras quadras. No final, após mais de uma hora, o campeão paraibano fechou a partida em 3×0 com 81 pontos jogados que dariam para cinco games (11/8, 15/13 e um interminável 18/16), para delírio da torcida local. Mais uma arbitragem segura e correta do César.
- Kiki 3×0 Erick – Final 1a. classe
A final foi ganha com certa tranquilidade por Kiki, depois de Erick ter quase esgotado seu estoque de jogadas na semifinal. A torcida pôde apreciar toda habilidade de Kiki, com bolas indefensáveis sempre que tinha chance. Mas Erick não deixou barato e o público privilegiado vibrou com umas boas fintas do paraibano no melhor juvenil sub-17 da América do Sul. No final Kiki campeão (11/5, 11/8, 11/5), sem ceder qualquer game nem no Top Class nem no Juvenil. E mais uma vez, como árbitro e expectador privilegiado, o Stanley, com a segurança requerida para uma final de 1a. classe.
Essa seleção é apenas um ângulo de visão, mas você pode ter outras escolhas. Para sugerir mais partidas memoráveis é só comentar a notícia abaixo e divulgaremos sua opinião. E participe votando na pesquisa que está publicada neste site!

Parabéns aos organizadores do Evento. Parabéns a academia squash bessa. À simpatia da Maura e de seu esposo. Excelente arbitragem dos paraibanos. Discordo apenas da referência à arbitragem do jovem Pedro Veiga – MG, no jogo entre o Kiki e o Serginho. Quem o fez não viu a conduta antidesportiva por parte dos dois atletas, em momento algum advertidos pelo árbitro (se o comentarista assistir às gravações do jogo com atenção, verá que o seu elogio não corresponde à verdade, como também que não se utilizou o mesmo critério de “lets” e “strokes” de forma isonômica para ambos os jogadores). O kiki segurando o serginho várias vezes e o serginho xingando palavrões. Se houvesse a repreensão no início do jogo – como feita criteriosa e oportunamente pelo excelente Stanley Marx, no início da partida entre o kiki e o Erick, advetindo o primeiro por conduta antiesportiva – certamente o jogo seria um espetáculo melhor de se ver e não estaria entre os menos votados. Possivelmente, um espetáculo como o último jogo realizado em Minas, em que se chegou ao quinto game, terminando com a vitória do kiki por 14 a 12,sobre o Serginho, neste último game. Recomendo que nos jogos em que o Kiki atue seja indicado árbitro mais experiente para que este atleta não se utilize de sua parte antiesportiva, desnecessária diante do talento que ostenta (que por si só já desequilibra o jogo) permitindo espetáculo mais digno de se ver.
Agradecendo ao generoso adjetivo creditado à minha pessoa, aproveito o ensejo para ratificar a minha perene preocupação com o contexto da arbitragem para o squash, vez que este é um esporte no qual o contato físico pode redundar em muitos efeitos. Concordo com a posição do Sérgio em relação ao jogo arbitrado pelo Pedro Veiga, não por fatores inerentes à personalidade deste, que para mim se apresentou no paradigma da etapa em virtude de sua conduta irreprochável, mas pelo contexto da maturidade que deve envolver um árbitro em jogo com as características do arbitrado. Nesse contexto, compreendo a posição do Sérgio e ratifico o alvitre consignado, ratificando, contudo, as minhas percepções declinadas verbalmente ao término da partida. Ressalto, todavia, que a síntese a ser ponderada deve se cingir à consecução dos próximos eventos, de modo que os erros, acertos, elogios e as críticas sirvam como estímulo para a concreção do melhor. O fato é que o saldo foi deveras positivo, ratificando as palavras do Sérgio sobre a organização e simpatia de todos que fazem o Squash Bessa avançar na disseminação dessa modalidade esportiva tão encantadora. Estejamos, pois, unidos, compreendendo a necessidade de encetarmos os melhores atos, a fim de que possamos ver o squash desenvolver-se cada vez mais em nosso contexto de vivência humana. Abraço fraterno em todos vós! Sérgio, muito obrigado pelo adjetivo, creditado este a sua generosidade.